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| Cinema | Bella Lição por Cristina Campos |
Explorado pela Igreja como ferramenta de propaganda anti-aborto, "Bella",
filme de Alejandro Gomez Monteverde, em que pesem as críticas de
dramalhão mexicano, é bem mais que um libelo pela vida.
Nina, a personagem principal, vivida pela atriz Tammy Blanchard, depois
de abandonada pelo pai, aos 12 anos, nos braços de uma mãe
que não saía da frente da tv, segue o previsível caminho
das drogas, sexo fácil e trabalhos difíceis.
Despedida do último emprego de garçonete, às vésperas
de um aborto, Nina cruza José, o irmão gente boa do patrão
que a demitira. Segundo filho de uma família estruturada, o personagem
de Eduardo Verástegui a leva pra conhecer seus pais e, no caminho,
lhe faz confidências que mudariam o rumo dos acontecimentos.
No auge de uma bem sucedida carreira de jogador de futebol, o moço
havia atropelado e matado a linda filha única de uma mãe solteira.
Devastado pela culpa, se entregara à polícia, sem medo de
puxar uma cana de 4 anos.
Em vez de entrar naquela discussão bizantina sobre o momento em que
o embrião vira gente, o filme aponta para a responsabilidade que
cada um de nós deve assumir perante seus atos. Seja este produzir
uma vida ou acabar com ela, nossa obrigação é arcar
com as consequências do que fazemos.
Essa é a mensagem bacana do filme. Enquanto no Brasil, atletas matam
no trânsito, ganham apelidos de "Bad Boy" e fica por isso
mesmo, há lugares onde o praticante de crime culposo ou doloso, sofre,
na pele, as consequências dos seus vacilos.
É sintomático que esse filme tenha passado despercebido no
País da impunidade. "Bella" recebeu prêmio Especial
do Público no Festival de Toronto 2006. Duvido que se tratasse de
uma platéia de carolas.
Talvez fossem apenas cidadãos pra quem responsabilidade não
é algo de que se deva fugir como o diabo da cruz.