Cinema    
    ANIVERSÁRIO DE OBRAS VEM A CALHAR - Gabriel Carneiro    
   

“30 de julho foi um dia triste. Dois grandes cineastas morreram; um deles foi Ingmar Bergman. 2007 foi um ano comemorativo em dois âmbitos para ele: 89 anos de idade e 50 anos de suas duas mais supracitadas obras – O Sétimo Selo e Morangos Silvestres. Estranhamente, ambas falam de dois aspectos que marcaram o fim da vida desse sueco, a morte e a velhice.
Em 1995, em entrevista ao The New York Times, Bergman disse que “quando era jovem, tinha um medo pavoroso de morrer”, e, ao envelhecer, passou a achar a morte “um arranjo muito sábio. É como uma luz que é apagada”.
Em O Sétimo Selo discutiu isso. O cruzado Antonius propõe um jogo de xadrez à Morte com o intuito de prolongar sua vida, para, justamente, encontrar o sentido dela, saber quem de fato era Deus – o pai de Ingmar era um pastor protestante rígido -, e finalizá-la tendo feito algo de altruísta na vida. A própria construção do filme é uma maneira de entender o que é a morte e sobre o que ela versa.
Quando realizou os filmes, em 1957, aos 39 anos, o diretor estava descobrindo, através do cinema e do teatro, algo que pontuaria os seus últimos 20 anos. Ao mostrar, em Morangos Silvestres, um de seus mestres, o cineasta Victor Sjöström, no auge da velhice e perto do fim, é como se projetasse a si mesmo no futuro. A aceitação vem com a reflexão; tudo se torna complacente. A velhice é apenas mais uma parte do processo, assim como a morte.
Parece que na Ilha de Fårö, lugar em que passou seus últimos anos, Bergman encontrou a paz que tanto vislumbrou em seus filmes bucólicos. Morreu como queria.
Quem me dera, durante meus momentos de tristeza e preocupação, recorrer às lembranças da juventude, nos campos de morangos silvestres...

   
             
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