Desde ontem à noite, estou matutando pra comentar essa obra-prima do diretor Sidney Lumet, sem estragar a surpresa dos meus queridos leitores. "Antes que o diabo saiba que você está morto", o filme mais recente do diretor de "Um dia de Cão", lembra bastante "Sonho de Cassandra".
Aqui também temos dois irmãos, um deles envolvido com drogas e problemas financeiros, o que já virou quase sinônimo, tanto na ficção quanto na realidade. Assim como no filme de Woody Allen, os manos optam por uma estratégia errada pra resolver a parada e vão se enrascando cada vez mais, até que suas vidas se transformam num completo inferno.
Com Philip Seymour Hofman no papel do irmão mais gordo e Ethan Hawke no de mais gatinho, já começa a se delinear um drama familiar de responsa, onde a figura do patriarca é marcada pela brilhante atuação de Albert Finney.
Pra não desmanchar o prazer de ninguém, não vou dar mais nenhuma pista sobre o enredo. Mas não resisto a comentar o que o filme me fez refletir.
Quando fazemos escolhas erradas, e aí não estou falando só do que é legal ou ilegal, mas do aspecto moral, tentamos esconder do mundo e de nós mesmos. Mas a verdade sempre vem à tona. E aí cabem todos aqueles ditados: "a mentira tem pernas curtas", a "justiça tarda mas não falha", "quando a cabeça não pensa o corpo padece", etc.
Seja o crime um grave atentado contra uma vida ou um mero colarinho branco, ele passa a torturar a mente de quem achou que estava sendo muito esperto, com requintes de um delegado Fleury. E aí, não adianta fugir da polícia, mudar de país nem trocar de identidade.
Sempre vai ter alguém que "sabe o que você fez no verão passado". E essa pessoa costuma aparecer pra bater um papinho toda vez que a gente deita a cabeça no travesseiro: a nossa consciência.