Frank Lucas, o gângster interpretado por Denzel Washington no filme do mesmo nome de Ridley Scott, seria o contraponto americano do Joãozinho Estrela, de “Meu nome não é Johnny”.
Ao contrário do personagem de Selton Mello, que cheirava compulsivamente boa parte da droga que deveria vender, o traficante americano era de uma caretice sinistra. Diante da mãe velhinha, obrigava seus irmãos a rezarem antes das refeições e batia ponto na igreja toda semana.
Cínico e elegante nos seus ternos bem cortados deixavam o serviço sujo aos cuidados dessa fraternidade, que distribuía a heroína pelos muquifos fedorentos de Nova Iorque, no melhor estilo Máfia Siciliana. Enquanto isso, ele só na ponte aérea com Bangcoc, negociando, na fonte, a mercadoria que embarcava nas tampas dos caixões dos soldados que morriam na guerra.
Assim, enquanto a meninada morria no Vietnã, em nome da democracia Nixon, outros tantos garotos e garotas eram abatidos nos banheiros sujos e hotéis baratos de Manhattan, injetando nas veias a heroína pura e barata que Frank lhes oferecia.
Baseado em fatos, reais, o filme retrata a frieza e a hipocrisia dos verdadeiros traficantes que lá ou cá gravitam em esferas bem acima dos morros e das bocas, desfilando grifes importadas, casacos de pele e mulheres de luxo.