Cinema    
    PREÇO DA CORAGEM. QUE CORAGEM? - Cristina Campos    
   

Produzido por Brad Pitt e interpretado por sua mulher Angelina Jolie, grávida de verdade no filme, “O preço da coragem” narra, de maneira bastante jornalística, impactante e nem um pouco apelativa, os dias que se seguiram ao seqüestro do jornalista americano de origem judaica Daniel Pearl, no Paquistão e que culminaram com sua decapitação.
Baseado no livro de Marianne Pearl, a esposa francesa de origem cubana do seqüestrado, o filme mergulha na intricada cadeia do terrorismo islâmico onde um nome leva a outro, e na última ponta da meada invariavelmente se encontra um membro da Al-Qaeda.
“A Mighty Heart”, título original do romance e do filme, significa coração forte, em português. Não se pode negar que isso a personagem da Angelina Jolie demonstra, de sobra, durante os 120 minutos da trama.
Quanto à coragem, da versão brasileira, na minha modesta opinião, faltou um pouco.
Tanto à polícia paquistanesa quanto aos agentes da CIA. Tá certo que negociar com terroristas não é das práticas mais recomendáveis. Mas pra salvar a pele de um funcionário do Wall Street Journal, seqüestrado no cumprimento do seu dever, será que não valia à pena propor a George W. Bush uma amenizada no tratamento oferecido aos prisioneiros de Guantánamo, atendendo a uma reivindicação até justa dos seqüestradores?
Será que nem pela cabeça da corajosa viúva passou essa possibilidade?
Provavelmente a tentativa seria frustrada. Mas, se desse certo, seria bem mais eficiente do que olhar pro teto do quarto e ficar repetindo: eu te amo, eu te amo...

   
             
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