Cinema    
    SUCURSAL DO INFERNO - Letícia Mendes    
   

Apesar de ter feito projetos infanto-juvenis (“A Dança dos Bonecos” e “Menino Maluquinho”), dramas de época (“Amor e Cia”) e sociais (“Uma Onda no Ar”), mas nada especificamente sobre a ditadura, Helvécio Ratton conseguiu apresentar e dar vazão ao terror que imperou o período do final dos anos 60 e ao longo da década de 70 através da luta dos frades dominicanos contra a ditadura militar e de toda a tortura que sofreram. No filme “Batismo de Sangue”, ficção baseada no livro homônimo de Frei Betto, os freis Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves), movidos por ideais cristãos, passam a apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado por Carlos Marighella – ex-deputado federal e um dos principais opositores do governo - (Marku Ribas). Os frades defendiam que viver o evangelho era integrar-se à comunidade através de práticas sociais concretas, que defendessem os injustiçados. Pagaram um alto preço. Eles logo passam a serem vigiados pela polícia, interpretada por Murilo Grossi (Policial Raul Careca), Renato Parara (Policial Pudim), Cássio Gabus Mendes (Delegado Fleury), e posteriormente são presos, passando por terríveis torturas. Aliás, as seqüências de tortura, bastante destacadas ao longo do filme, não devem ser criticadas pelo teor explícito em si, mas talvez o diretor as utilize para apresentar “Batismo de Sangue” como uma empreitada corajosa e respeitável, que não hesita em expor em detalhes a sucessão de torturas desumanas que fizeram tantos brasileiros como vítimas.
Vale muito a pena entrar no site do filme: http://www.batismodesangue.com.br/


   
             
  Copyright CHEGASAOPAULO.com - Todos os direitos estão reservados. Proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do jornal CHEGA SÃO PAULO.  
 
blog comments powered by Disqus