Entrevistas    
    CARLA LAMARCA - Daniel Bedotti Serra    
   

Carla Lamarca foi VJ da MTV Brasil durante dois anos, apresentou o Disk MTV e o Jornal da MTV mas esse ano ela se desligou da emissora brasileira. Em um piscar de olhos mudou-se para Paris, onde trabalha com bandas de rock alternativo e metal em uma gravadora chamada PIAS. Como modelo está em uma agência de casting francesa e anda fazendo publicidades e editoriais de moda na Europa. Numa entrevista concedida ao Jornal Chega São Paulo, Carla Lamarca nos conta tudo sobre sua carreira, sua paixão pela música, os melhores momentos na MTV e ainda diz: “Quero ser alguém na vida, não viver atrás da sombra de um ex-emprego”.

CHEGA SÃO PAULO – Como você conseguiu a oportunidade de trabalhar em Paris, na gravadora PIAS?
Eu tinha um contato do Brasil e enviei meu CV, rolou.

CHEGA SÃO PAULO – Qual a função que você exatamente exerce na PIAS?
Como a PIAS distribui muitos artistas de outras gravadoras na França, eu cuido basicamente do marketing e promoção dos gêneros METAL e ROCK ALTERNATIVO.

CHEGA SÃO PAULO – As bandas francesas têm mais facilidade para gravar um CD se comparado às bandas brasileiras?
Não, isso é fantasia nossa (brasileiros) de achar que fora do Brasil é “fichinha” ser contratado por uma gravadora. Nada disso; a dificuldade é a mesma, a concorrência também, nada de diferente.

CHEGA SÃO PAULO – Qual estilo de música é mais popular entre os franceses?
A França não tem uma cultura musical marcante, muitas cantoras e cantores bons, como Edith Piaf e o “mais recente” Miossec.
Nas últimas paradas de vendas nas maiores lojas francesas de discos o CD mais vendido é o ultimo do MIKA, cantor “inglês” (ele é meio americano, meio outra coisa, mas mora na Inglaterra), que ficou famoso com o single “RELAX”.

CHEGA SÃO PAULO – O que você pode nos dizer sobre o cenário musical Francês?
O rap é interessante aqui, boas letras, grupos que tem algo a dizer. Essa onda “funk-eletro” esta começando a ficar realmente grande em Paris, graças ao nosso BONDE DO ROLE. A velha historia né? Banda que ninguém bota fé no Brasil e os gringos piram.

CHEGA SÃO PAULO – Você trabalhou quanto tempo como VJ na MTV Brasil?
Durante dois anos. Aprendi bastante, tive sorte de ter tido essa experiência, quantas pessoas não querem ser VJ da MTV? Eu fui uma delas, e vi que o glamour todo que todo mundo acha que é, na verdade não existe. Você rala muito, não tem feriado, pessoas te criticam o tempo todo, não é fácil. Acho que ser VJ era mais legal na época da Sabrina, da Astrid, VJ era uma celebridade como um ator da Globo, ou ate mais, a MTV ainda passava clipes e tinha mais rock na programação. Hoje? Vixiii, ninguém nem sabe o seu nome, nem quando você sai da MTV, ai você não tem nome mesmo, você vira EX-VJ. Tenho pavor disso. Quero ser alguém na vida, não viver atrás de uma sombra de um ex-emprego; por isso vim pra cá, vou fazer uma pós em Music Business and Managment em Londres que começa em setembro e ser Carla Lamarca, como sempre fui.

CHEGA SÃO PAULO – Como você chegou até a MTV?
Por conta própria, não sou prima de ninguém, nem passei pelo “teste do sofá”. Foi uma fita que eu gravei e um amigo editou e enviou.

CHEGA SÃO PAULO – Além de VJ você tinha outras funções na MTV?
O VJ não tem muitas outras funções na MTV, ele pode ate se interessar e ir atrás de conteúdo para o seu programa, mas na real mesmo, você esta lá para apresentar e ponto final.

CHEGA SÃO PAULO – Qual foi o momento mais marcante na MTV?
Eu sempre gostei de fazer entrevistas, gringas principalmente. Todas as entrevistas têm algo especial, marcante. O Oasis foi simpático, o Ricky Martin é gay, tenho certeza; bandas novas podem ser mais esnobes que as bandas velhas, os americanos falam mais e tendem a serem mais simpáticos em entrevistas; já os ingleses fedem um pouco e fazem piadas sem graça, mas eu os AMO!

CHEGA SÃO PAULO – Das entrevistas que fez qual foi a mais marcante?
Pessoalmente e profissionalmente o OASIS. Eu sou fã, a banda toda estava na entrevista, o Liam me elogiou no final... aiii foi lindo.rs

CHEGA SÃO PAULO – Quais são suas bandas ou cantores favoritos?
Oasis, Kings of Leon, Rolling Stones, Arctic Monkeys, Strokes, Franz Ferdinand, The Verve, Jet, Animal Collective...

CHEGA SÃO PAULO – Fez amigos na MTV?
Fiz muitos, muitos amigos queridos que moram no meu coração; excelentes profissionais e nenhum deles são famosos.

CHEGA SÃO PAULO – Você também é modelo. Há quanto tempo e quais foram seus últimos trabalhos?
Aqui eu fiz uma campanha para Absolut Vodka três semanas atrás e um editorial de moda para a revista WAD na Espanha no mês de junho. Faço isso porque da um dinheiro bom e rápido. Mas jamais seria modelo tempo integral!

CHEGA SÃO PAULO – Você gosta de política?
Gosto na teoria, mas não na pratica.

CHEGA SÃO PAULO – Brasil e França são países que vivem realidades totalmente diferentes. Qual diferença que você vê entre os políticos franceses e os políticos brasileiros?
Me parece que os políticos franceses têm gosto pela política. Eles gostam de discutir os problemas e tentar achar as soluções; no Brasil acho que nenhum político tem gosto pelo que faz e pensa mais no dinheiro do que no trabalho.

CHEGA SÃO PAULO – Você acha que os jovens brasileiros são diferentes dos jovens franceses na maneira de encarar a política? Qual você acha que cobra mais o seu governo?
São totalmente diferentes. O jovem brasileiro não quer saber de política, não se interessa e vota por pura obrigação. Na França é impressionante o quanto eles gostam de falar de política (às vezes é até chato, quero falar de Grey’s Anatomy um pouco). Recentemente eles elegeram Nicolas Sarkosy como presidente, uma eleição importante pra França depois de 10 anos de Chirac. Não consigo numerar a quantidade de JOVENS com a camiseta “Sarko” pela rua. Mas não é só isso, eles entendem de política, eles conhecem a sua historia, eles votam por livre e espontânea vontade.

CHEGA SÃO PAULO - Qual o tratamento que os franceses dão aos estrangeiros residentes no país? Existe diferença se você é brasileiro ou americano, por exemplo?
A diferença não esta na cidadania, mas se você fala a língua. Eu aprendi francês em um mês, num curso intensivo, antes de me mudar pra cá. Claro, penei muito aqui, a língua é difícil, mas como falo outras línguas, isso facilitou no meu aprendizado e peguei rápido. Os franceses em geral não são arrogantes quanto à fama que tem, na real, eles simplesmente não se sentem na obrigação de falar outra língua já que você esta morando na França.

CHEGA SÃO PAULO – Você pretende voltar ao Brasil?
De férias com certeza, mas morar só se fosse pra ganhar 20 mil reais por mês.

CHEGA SÃO PAULO – Pretende voltar a trabalhar como VJ, ou na televisão de outra maneira que não seja apenas como VJ?
Não, não acredito mais na televisão brasileira, quero trabalhar em algo que faça sentido pra mim e isso é a música. A MTV me acordou para a minha vocação mas, a televisão no Brasil ultimamente, não me acrescenta nada.

CHEGA SÃO PAULO – Qual sua opinião sobre a juventude brasileira?
Eu tenho vontade de chegar e dizer: Acorda!
O que mais me impressiona é a falta de interesse do jovem brasileiro, a preguiça.

CHEGA SÃO PAULO – E sobre a política brasileira atual?
Eu acompanho por aqui e me choca ainda mais ver de fora do que de dentro, quando morava no Brasil. Ninguém enxerga que o Brasil é um pais do CARALHO (posso falar palavrão aqui?) e que é estragado pelos seus próprios habitantes. Mas o que fazer? Ninguém vai vir de fora e concertar o Brasil. Será que é isso que os brasileiros estão esperando que aconteça? um milagre?

CHEGA SÃO PAULO – Você é a favor da legalização da maconha?
Não, não vejo a menor graça nessa droga e acho que ela emburrece.


   
             
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