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| BBB. O ESPETÁCULO DA MEDIOCRIDADE - Helder Modesto | ||||||
Na cultura de massa, as formas e os mais diferentes dilemas são hoje predominantemente refletidos na mídia. Um fenômeno característico dessa massificação - afirma o Prof. Arnaldo Toni “são os Reality Shows apresentados na TV. Para refletirmos sobre a valorização e banalização espetacular da vida íntima, tomamos como foco de análise e reflexão o programa ‘Big Brother’ (BBB), apresentado pela rede Globo de Televisão”. Esse fenômeno da mediocridade cotidiana, “o gosto, o interesse e a apreciação pela vida íntima, foram explicitados pelas teorizações do sociólogo Richard Sennett (1999). A experiência de si como interioridade emerge com a dialética público/privado que marcara a modernidade, logo, a exposição da intimidade em nossa sociedade é oriunda da ‘exploração da vida privada’ que ocorreu ao longo dos séculos, sobretudo, entre os séculos XVIII e XIX”. Estamos vivendo num tempo da midiatização avassaladora. “Talvez estejamos hoje diante de um novo paradigma, vivendo uma transição sem precedentes, sobretudo, porque estamos perdendo as referências que possuímos no passado, calcadas em determinados valores que serviam de balizas para nossas identidades e relações sociais. Um desses valores seria a preservação da intimidade (sagrada em tempos remotos), agora, frente a sua transformação e debilidade, está fadada, definitivamente, a seu declínio e supressão. Quanto a passividade dos curiosos telespectadores do ‘BBB’, identificamos o consumo passivo de imagens por um público devoto do ‘lixo televisivo’, que vibra diante do espetáculo fomentado pela indústria do entretenimento e pela ficção do ‘real’, são imagens de banalidades, vulgaridades e bisbilhotagem da vida alheia e privada de pessoas anônimas e distantes que passam parecer tão próximas”. Diante do espetáculo da banalização e da mediocridade televisiva, o tele espectador se transforma num completo alienado, fiel convertido à ultima glorificação sem conteúdo, desprovido de qualquer preocupação com as migalhas imagéticas que lhe são oferecidas, entregue a este frenesi de sensações que faz dele o juiz e refém do próprio equivoco. Ali, diante da pseudo-intimidade afetiva e amorosa, onde os corpos seminus insinuam as carências de uma sociedade vazia e desprovida de alteridade, o espectador inebria-se no labirinto das quimeras, livre das responsabilidades que fariam dele um cidadão, passa impregnar a imaginação com a indigência dessa ilusão de quem busca encobrir a mesquinhez que lhe corrói. Aprisiona a vida ao olhar que busca o proibitivo nas imagens eletrônicas, o espetáculo sem sentido e sem transcendência, mas que alarga a exuberância desse zoológico pomposo e dilata o voyeurismo dos patrocinadores. |
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