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| O ENGESSAMENTO MORAL DO PAÍS - Bruno Lastrucci | ||||||
Não há nada que se possa fazer. Não há esperanças. Já era. Acabou. Não há santo que endireite a moral torta do país. Está certo isso? Todas as barbáries que acontecem no Brasil, sejam elas na política, na justiça ou em qualquer camada da sociedade são encaradas como fatos isolados, corriqueiros e passageiros. E não são.
A queda lenta e gradual da moral certa no Brasil começou há anos, mas agora se acentua impulsionado pelo engessamento moral da população. Digo e repito: a culpa do Brasil estar em uma UTI moral é de toda a população. Afinal, o que todas as camadas da população fizeram? Nada. Antes havia protestos pelo aumento do salário mínimo, pela saída de um presidente corrupto, pelo fim da censura. Hoje, vemos os futuros governantes desse país se preocupando apenas com o próprio umbigo. Certa idade costumava freqüentar uma casa noturna e tive a maior prova de quão desesperados deve-se ficar. Um grupo de teatro irrompeu o palco, pediu para que o DJ calasse as caixas de som e apresentou uma cena de 5 minutos. Ao fim do texto, um dos atores tomou o microfone e disse mais ou menos assim: “Essa cena faz parte de ume peça teatral escrita por Chico Buarque que foi censurada pela ditadura. Naquela época, todos os jovens da idade de vocês (presentes) tinham como grito de guerra a liberdade de expressão”. E questionou: “Qual seria o grito de guerra de vocês?”. A multidão de jovens ali olhando para o palco explodiu, uníssona, em êxtase, bradando: “Legalize, legalize, legalize!”. Esse era o brado: a legalização da maconha. A minha frustração era tão grande que pensei impossível ser maior. Os próximos governantes do país queriam que a maconha fosse legalizada. Um absurdo sem tamanho, uma afronte ao controle do crime, um descalabro, um estopim do engessamento moral que hoje infecta a população. O ator, desconcertado, pôs o microfone na boca e concluiu: “Nós também somos a favor da legalização da maconha, mas isso não vai mudar o mundo”. E fechou com chave de ouro um episódio lastimável da minha vida, quiçá, do país. Minha pergunta então reside na sua resposta. Porque eu não vou me encostar no morro do comodismo, não é admissível que um povo tão lembrado como lutador de seus direitos aceite crimes sem punição, políticos corruptos sendo eleitos, criminosos sendo soltos, crianças passando fome, idosos não aproveitando a velhice. Tirem os jovens do egocentrismo contaminoso. Faça alguma coisa, proteste, grite, organize campanhas, ajude o próximo, denuncie os criminosos impunes, cutuque o governante acomodado, gaste seu tempo para formar um país melhor. Devolva o troco a mais, diga bom dia e obrigado. Mande e-mails, muitos e-mails com injustiças desconhecidas, lute pelos animais, organize passeatas, incentive a doação de órgãos. Faça alguma coisa, contamine os outros com a sua ação. Enfim, mexa-se. Quebre o gesso que endurece a moral do país. |
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