![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Matérias | ||||||
| FORMAÇÃO OU INFORMAÇÃO? - Giovanna Cópolla | ||||||
Ao ingressar no Ensino Médio, o jovem já começa a sentir aquela pressão exercida não só pelos pais e pelas Instituições de Ensino, como também por toda uma sociedade, que cobra dele um bom desempenho para que possa passar no tão sonhado Vestibular. Porém, uma preocupação vem acompanhada desse sonho: seria ele verdadeiramente do jovem, ou de sua família diretamente afetada pelos anseios e pelas necessidades da sociedade?
É real e visível a competitividade do mercado de trabalho e a dificuldade em conseguir um emprego satisfatório e suficiente, como também é real e visível que o jovem está cercado de medos por todos os lados. Medo de não escolher uma profissão que o agrade, medo de encontrar barreiras que ele julga inultrapassáveis, medo de ser traído pelo próprio amigo que almeja um cargo superior ao seu e que não hesitará se, para isso, for necessário derrubá-lo. É essa a sociedade na qual nos encontramos, uma sociedade competitiva, capitalista e escassa de ideologias, a qual insistimos em chamar de moderna. Essa pressão, quando confrontada com a insegurança e a falta de maturidade do jovem, gera na maioria dos casos uma insatisfação que se resume em cursar uma Universidade se preocupando única e exclusivamente em concluí-la o mais rápido possível, se livrando então de mais uma obrigação inserida na vida do ser humano e levar para casa o famigerado canudo como quem carrega apenas um pedaço qualquer de papel. Pergunto-me, então, o que esse jovem leva para casa: uma porção de informações que serão inúteis, uma vez que quem as porta não tem nenhuma intenção de passá-las adiante com a verdadeira preocupação de aprendizado, ou um conjunto de informações e conhecimentos valiosos e fundamentais para formar um cidadão, e não apenas informar? Até onde vale a pena exigir certas funções de um jovem ainda sem muito rumo se tal função não for desempenhada com vontade e prazer? Com tanta preocupação em se obter uma posição social elevada num país onde tem até caranguejo pegando a sua perna sem mesmo você oferecer o pé, esquece-se que o essencial é agradar a si mesmo antes de mais nada e projeta-se no jovem a figura de "futuro do país". Que futuro tem um país desinteressado, incrédulo e pressionado? A liberdade passa bem longe desse país (que se diz democrático), e o que será de uma nação sem a liberdade? A motivação é nula, pois esta se ausenta na presença da pressão. A vontade de obter um diploma por merecimento se mistura com o pavor de ser excluído do sistema por não possuir um nível universitário. Do jeito que as coisas caminham, em breve terá gente correndo atrás de um diploma só para ter privilégios na cadeia caso venha a cometer algum crime no país onde um criminoso é julgado por possuir ou não nível universitário, quando deveria ser julgado pela gravidade do crime cometido. Eis aí mais uma falha do nosso sempre surpreendente sistema que atenta contra os Direitos Humanos, que em seu artigo VII, diz que todos são iguais perante a lei. Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Piada. Como diria Sartre, o inferno são os outros. O que falta no jovem é personalidade e desejo de superação, mas que não se supere somente os outros para obter uma sensação fácil e descartável, mas que se supere primeiro a si próprio, para obter uma sensação grandiosa de se sentir capaz de coisas nunca antes imaginadas. |
||||||
| Copyright CHEGASAOPAULO.com - Todos os direitos estão reservados. Proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do jornal CHEGA SÃO PAULO. | ||||||
| blog comments powered by Disqus | ||||||