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| Matérias | ||||||
| O SENTIDO DA ARTE - Helder Modesto | ||||||
A força e o mistério da existência impelem-nos a procurarmos desvendar o sentido da própria vida. Uma das formas que o homem encontrou para expressar essa angústia – desde os tempos das cavernas, pintando sobre as suas paredes – é a arte. Como uma matéria inconsútil, “a arte se alimenta de um sentido bruto que escapa a todos os modelos de pensamento pré-estabelecidos, por isso, ela é uma espécie de ciência secreta que manifesta o enigma do mundo” (Graciela Deri, 2008). Ida Zami, artista plástica com a sensibilidade rara, dona de uma autenticidade dificilmente igualável, sua arte reflete o périplo do ciclo da existência que escorre por entre o desejo de itinerários desconhecidos e os ecos do não vivido. Angústia atada ao visível látego da dor e do vazio que se prende ao ser. Mas que não abandona essa dor inconsútil que dilacera silenciosamente, cada um, os traços que, em nossa própria subjetividade, tecem a certeza que a vida é um sonho dentro de um outro sonho, e que a realidade é nua e crua. Sua arte mostra os descaminhos que se avolumam ao longo do percurso do ser, seta exilada para o lado do não-ser. Nenhum êxodo foi programado para este desterro, uma vez que o expatriado só tem o solo da sua própria existência, pois só pode medir os ângulos do próprio rosto. |
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