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    A SINTONIA PERFEITA - Rodrigo "raTo" Seixas    
   

Tanto o choque quanto o toque foram de imediato, e estas duas sensações seguiriam em frente. A falta de intimidade não fez com que eles se afastassem, fez apenas com que o diálogo fosse um pouco menor, mas não menos proveitoso. Até porque a presença do arrepio na pele estava indiscutivelmente visível em cada um deles. Precisavam estar perto, mesmo que para prestarem atenção na conversa alheia, pois tinham que sentir seus corações batendo perto um do outro, ou simplesmente... um para o outro.

A hora não passava, o tempo estava literalmente parado, pelo menos para eles. Aquele crepúsculo que insistia em não desaparecer parecia que era a propósito, pois como se aprende na escola da vida: “o universo conspira a seu favor, esteja aberto para isto”. E foi o que aconteceu, deixaram trabalhar por eles e para eles, mesmo sem perceberem.

Como quem se conhece há anos, eles já gargalhavam intimamente. O local já era outro, o sol já não estava no horizonte, e a lua tinha aparecido para tornar aquela ocasião perfeita. Algo não tinha mudado: A sintonia, que também era perfeita. Aquele termo de “decifra-me” não existia e nunca existiu, não saberiam explicar, mas não havia o que se decifrar, já era apenas um coração batendo e uma única mente trabalhando.

Em uma espécie de segredo as suas pupilas se dilataram, em ritmos descompassados seus corações batiam. O arrepio já não era mais uma sensação estranha, pois já fazia parte integrante daquele sentimento. A lua que já não estava mais tão amarelada trazendo o seu encanto estava mais acesa e mais viva, mostrando toda a sua liberdade para quem quisesse ver. E eles viram... como se vivessem num mundo perfeito eles estavam lá, acompanhando as sensações e as manifestações de um novo sentimento que seria criado.

A sós o momento era único, era ímpar e era deles. Foi quando veio a constatação de que tudo o que estava acontecendo era real. Ele tremia, pois o único pensamento que ele queria manter em segredo, mesmo sem saber já havia sido revelado a ela. Era mais uma prova de que entre eles não havia e nem haveria segredo, pois tudo que estava sendo criado era verdadeiro.

Colados como se fossem um só corpo, no silêncio que habitava suas cabeças eles não renunciaram, pelo contrário, houve o toque, o cheiro, o feeling. Estáticos como uma pedra que repousa na sua eternidade, eles permaneceram por um tempo. Não saberiam dizer ao certo, pois o tempo em que eles estavam vivendo era outro, era deles, só que era real.

Agora eles já haviam se tocado... já se conheciam e já ansiavam por uma explicação. Mas como poderiam entender a natureza além da razão e da emoção? Aquilo que se escreve sobre o “aqui e agora” ou então sobre “destino, mudar e criar” e ainda sobre o poder do significado de: “nos encontramos”. O que dizer de tudo isso? Passando na cabeça de pessoas normais (especiais), mas com os mesmos propósitos, ideais e sentimentos.

Realmente se encontraram, os seus caminhos se cruzaram, não foi à toa. Alguém trabalhou duro para que isto acontecesse. As escritas certas através de linhas tortas, da forma mais inusitada possível chegaram ao mesmo destino como estava previsto, e como Ele queria. Daqui pra frente a história foi mudada e o inesperado aconteceu. Uma experiência nunca vivida antes e que mudou o rumo da vida se torna presente a cada dia, aguçando o pensamento de que a vida é feita de escolhas, decisões e que principalmente nada é por acaso, pois tudo isto estava previsto, tinha que acontecer. A sintonia é perfeita, é algo maior e mais forte para lutar. Mas pra que lutar? Onde tudo o que ele quer é aceitar!

   
             
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