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    TRISTE ESPETÁCULO - Talitha Rezende    
   

Nas últimas semanas ficou ainda mais evidente uma verdade que já era de conhecimento geral: a imprensa brasileira desenvolve um papel lamentável em nossa sociedade.
Foi impressionante a abordagem da tv e dos jornais sobre o assassinato de Isabella Nardoni.

É inegável que o caso realmente provocou comoção nacional, mas os meios de comunicação se aproveitam deste sentimento para promover sensacionalismo barato.
Muito além do seu papel de divulgar informações reais e de fontes fidedignas, o que se vê é um grande circo armado em torno desta tragédia. Se eles armam o circo, nós somos a platéia. E o mais triste é que a esmagadora maioria consome esse espetáculo com a mesma avidez com que ele é criado.

Já é cultura da imprensa nacional transformar histórias trágicas em semanas e semanas de "notícia fácil", mas parece que a tendência é piorar cada vez mais. Basta analisar o tempo dedicado a cada assunto nos telejornais, por exemplo: 50% para reprises de imagens e entrevistas sobre o caso Isabella, 20% para novas especulações sobre os culpados, 5% para flashes ao vivo com repórteres acampados na porta das delegacias onde a madrasta e o pai de Isabella estão detidos, com informações em primeira mão sobre o conteúdo da última marmita recebida por ambos. O restante do tempo é preenchido com notícias “irrelevantes”, como as denúncias de corrupção que pesam sobre um certo reitor de uma universidade em uma certa capital federal, acusado de destinar a parte da verba recebida pela instituição para decorar seu apartamento funcional ou mesmo o descaso dos parlamentares para com os depoimentos durante uma das sessões da CPI dos cartões corporativos.

Será que o nosso papel ser para sempre a platéia apática à espera da próxima atração de um circo de horrores?

   
             
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