Contos    
    CONTO DOS DESCONTOS - J. Castro    
   

Adormecida não acordou quando seu despertador gritou trovas de amor. Sua cabeça doía, seu quarto girava e nem sabia se ainda acreditava em trovas de amor.
Cinderela vendeu, a preço de banana, sua carruagem de abóbora e seu sapato de cristal. Precisava mesmo da grana para o traficante local que não aceitava mais feijões mágicos nem pele de lobo mal muito menos trovas de amor.
Rapunzel teve de vender suas tranças para pagar o aluguel, o leite das crianças e a fiança de seu ex-marido infiel e não mais dança trovas de amor.
Fera espera seu julgamento em liberdade assassinato com requintes de crueldade e se convence de que ela não era tão bela quando cantava, caindo pela janela trovas de amor.
Alice vomita seu jantar sem sujar o cabelo e vê no espelho quebrado seu eu alterado enquanto o coelho bate, apressado, pedindo de volta seu dinheiro, suas calças e seu relógio de corda. Que não toca trovas de amor, nunca.
Será que debaixo de tantas bitucas e farelos ainda estão os tijolos amarelos que me trouxeram até aqui?
Será que Otelo, arrependido do suicídio terá perdido seu vício, Trovas de amor?
Ao menos, Isabela, teve seu final feliz.

   
             
  Copyright CHEGASAOPAULO.com - Todos os direitos estão reservados. Proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do jornal CHEGA SÃO PAULO.  
 
blog comments powered by Disqus