Política    
    BALÃO DE ENSAIO MINEIRO - Fernando Soares    
   

O que vem sendo apresentado na grande mídia nacional como “uma aliança eleitoral entre o PSDB e o PT em Minas”,não é bem assim. Trata-se, isso sim, de um acordo entre dois fortes grupos políticos – o grupo liderado pelo governador Aécio Neves e o do prefeito de BH, Fernando Pimentel.O objetivo imediato é lançar um nome de consenso à prefeitura da capital mineira, e, a médio prazo, viabilizar a candidatura de Aécio à presidência e de Pimentel ao governo do Estado.
Como sabemos, o nome de Aécio encontra uma forte resistência na cúpula do PSDB, em especial dos caciques paulistas do partido, empenhados na candidatura de José Serra. Aécio sabe disso, mas não abre mão do seu projeto de alcançar a presidência em 2010. Tem consciência de que, excluída a presidência , só lhe restaria o limbo do Senado durante oito anos, tempo demasiadamente longo para as suas ambições , e suficientemente longo para que caia no esquecimento do eleitorado.
O atual acordo entre o governador tucano e o prefeito petista seria, pois, uma espécie de balão de ensaio para o projeto mais amplo da conquista da presidência. Nesse contexto, Aécio reconhece que dificilmente será o candidato do seu partido, e conta também com a inviabilidade de uma candidatura petista, já que o partido de Lula não apresenta nenhum nome com densidade eleitoral e carisma suficientes para vencer em 2010, em que pese toda a carga de popularidade que o atual presidente poderia transferir a essa candidatura.
O que o governador mineiro pretende, portanto, é unir o máximo de forças políticas – inclusive e principalmente Lula e o PT - para, em algum outro partido, assumir uma espécie de candidatura de “união nacional”. Tudo isso pode parecer um delírio, uma loucura, mas é o que o governador mineiro pretende viabilizar.
O balão de ensaio de Aécio encontra, porém, forte resistência do PT mineiro. Reunidos no último fim de semana, a ala petista liderada pelo ministro Patrus Ananias se contrapôs aos aliados de Pimentel e reafirmou o propósito de lançar uma candidatura própria à prefeitura, independente do acordo entre o governador e o prefeito.
Aécio Neves parece demonstrar confiança na sua força política e acredita que é possível convencer Lula e sua turma de que um acordo entre o seu grupo e o PT nacional objetivando a presidência em 2010, seria vantajoso para ambas as partes, e eleitoralmente mais forte no sentido de afastar os tucanos paulistas definitivamente do Planalto. Sem o apoio de Lula, evidentemente Aécio não se arriscaria a enfrentar a força dos tucanos paulistas.
Portanto, o que estamos assistindo em Minas é muito mais do que uma inusitada aliança entre o PT e o PSDB visando as próximas eleições municipais. É o lance inicial de um jogo muito maior, que visa a conquista do Poder do País.


   
             
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