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| Política | ||||||
| POBRE BRASIL - Fernando Soares | ||||||
O Brasil somente não está parado porque, felizmente, não depende exclusivamente do governo. Se dependesse, estaríamos no pior dos mundos. É a iniciativa privada, investindo e gerando empregos que, bem ou mal, tem movimentado a economia do país. O governo, além de não governar, ainda atrapalha quem quer trabalhar. Governo que se preze tem que cuidar com diligência e eficiência do que realmente lhe compete: educação, saúde, segurança, justiça e infra-estrutura. Os ministérios deveriam se limitar ao número suficiente ao atendimento a estas áreas prioritárias da sociedade. Aos demais setores deveriam ser reservados, no máximo, secretarias em nível de segundo escalão, pois são setores que dizem respeito prioritariamente à iniciativa privada.
Mas o atual governo não pensa assim. Neste exato momento, dedica-se à tarefa da composição de seu novo ministério. E ao invés de enxugar a máquina governamental, trata de inflá-la ainda mais, aumentando o número de ministérios para 35, numa clara demonstração de que, muito antes da preocupação com a eficiência administrativa, o que vale é garantir o maior espaço possível a seus aliados de primeira ( PT) e de última hora (PMDB). O objetivo final destas negociações marcadas pelo mais puro fisiologismo ? na qual o próprio presidente desconhece completamente a vida pregressa de seu indicado e indiciado ministro da Agricultura ? não é outro senão o de garantir um cenário favorável ao governo na próximas eleições. E nesta salada de 35 ministérios que a sociedade será obrigada a engolir e pagar, estão muitos que não têm outra razão a não ser a de satisfazer o ego político de caciques partidários e acomodar apadrinhados e correligionários sedentos por um cargo bem remunerado com dinheiro público, que signifique uma parcela ? mesmo ínfima -de poder.Afinal, para que servem ministérios como os do Turismo, Esporte, Cultura, Cidades, Pesca, Reforma Agrária, Relações Institucionais, Integração Nacional, dentre outros? É comum ouvirmos que o Brasil está parado por conta das indefinições do mundo político. Não está.O que está parado como sempre é o próprio mundo político.Se o Brasil caminha para frente, mesmo que seja em ritmo de jabuti velho, isto se deve sobretudo à iniciativa privada, que se vira como pode, apesar de todas as barreiras impostas pelo governo, em forma de muitos tributos e de muita burocracia. Não fosse isso ? as dificuldades impostas pelo governo ?, e se tivéssemos também uma cultura de incentivo à ampla liberdade de empreendimento no campo econômico , certamente os nossos índices de crescimento econômico, comparado aos dos demais países, não estariam num patamar tão constrangedor como se encontra. Olhando para trás na América Latina, só encontramos o Haiti. O verdadeiro programa de aceleração do crescimento deveria ser aquele em que o governo promovesse a desregulamentação da economia, reduzisse drasticamente a carga tributária, promovesse a revolução no ensino básico e fundamental e investisse em obras de infra-estrutura que não podem esperar. Mas aos olhos do governo e da categoria política em geral, tais medidas, se adotadas, significariam a diminuição dos recursos financeiros por eles manipulados, e uma conseqüente perda de seu poder político. E isto eles não admitem que aconteça. Como o que deveria acontecer não acontece, continuamos a assistir à esta representação mambembe protagonizada por atores de quinta categoria, regiamente recompensados com a grana que compulsoriamente pagamos em cada palito de fósforo que compramos. O governo, como se quisesse justificar a injustificável inércia e incompetência, periodicamente lança um ou outro programa de impacto, de caráter eminentemente propagandístico. No passado recente foi o ?Fome Zero? do qual não se tem mais notícia. Agora aparece com um tal de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e ,em seguida com um programa de incentivo à educação , uma espécie de PAC educacional. Não conseguimos ver, nestes programas outro o propósito a não ser o de criar espaço na mídia e passar à sociedade a falsa impressão de que este governo governa. Enquanto o governo finge que governa, a oposição brinca de fazer oposição. Ao invés de colocar o dedo nas feridas do governo ? elas são muitas e vêm do primeiro mandato de Lula ? e propor um plano alternativo que fuja da tríplice aliança - populismo, corrupção e assistencialismo-, a oposição continua a cometer os mesmos erros e insiste no inconseqüente e velho jogo de intrigas e troca de desaforos. Isto porque também muito mais preocupados como o seu futuro nas próximas eleições do que com o futuro do Brasil, os oposicionistas insistem na tática de abrir CPIs conta tudo e contra todos na Câmara e no Senado.E ameaçam o governo com a obstrução da pauta do Congresso, já tão obstruída pelas próprias MPs do governo.Tal comportamento é o que o jornalista Elio Gaspari tão bem definiu como ?oposicionismo policial?. A oposição parece esquecida de que em 2005 entulhou o Congresso de CPIs, que paralisaram os trabalhos do legislativo sob uma causa mais do que justa: investigar a corrupção do governo Lula.Mas, ao final, tudo foi dar numa gigantesca pizza, fruto de um grande acordo do establishment político. Acordo este que condenou dois ou três parlamentares, salvou a maioria da degola, manteve Lula no poder, e ainda possibilitou a sua consagradora reeleição, sob a aura de inocente e de injustiçado pelos ?inimigos do povo?.O que aconteceu foi que na medida em que as investigações começaram a sair dos currais do governo e a penetrar perigosamente dos currais da oposição, esta tratou de encerrar logo os trabalhos e deixar as coisas do jeito em que estavam. Na verdade, tais CPIs não têm se constituído em outra coisa, infelizmente, do que palco para a exibição de certos tipos de políticos, ávidos pelos holofotes da mídia e por seus quinze minutos de fama nacional. Nada mais do que isto. Portanto, o que estamos a assistir neste momento é a reprise de um filme de má qualidade protagonizado por um ator canastrão e coadjuvado por atores de quinta categoria. E, na platéia, a sociedade estática e perplexa assiste a tudo e ainda paga por isto. Boa parte dela aplaude o desempenho do ator principal. O problema é que a parte da platéia que já se deu conta da farsa parece não ter forças nem ânimo para reagir à péssima qualidade do espetáculo nem ao elevado preço do ingresso cobrado. Pobre Brasil. |
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