Política    
    A POLÍCIA FEDERAL A SERVIÇO DE QUEM? - Fernando Soares    
   
A Polícia Federal vem ganhando os holofotes da mídia e se destacando em operações tão cinematográficas quanto os nomes atribuídos a elas .Elogiada por muitos, e sendo trombeteada como a prova de que o governo Lula não distingue os ricos dos pobres no combate ao crime, a PF com a parceria do MP e de alguns juizes federais vem desbaratado esquemas criminosos , máfias financeiras, quadrilhas que fraudam o fisco, e colocado algemas em políticos , empresários e banqueiros , categorias que até pouco tempo passavam longe de qualquer delegacia policial.
As ações espalhafatosas da PF pretendem provar que no governo do metalúrgico Lula da Silva os ricos também choram. Em que pese o fato de que a maioria dos detidos nas operações acabe conseguindo habeas corpus, visto que prisões quase sempre se fazem de maneira arbitrária e espetaculosa, a impressão causada na maioria da população, é de que finalmente os criminosos de colarinho banco estão recebendo o mesmo tratamento dado aos pés- de- chinelos.
Tudo - exceto a arbitrariedade dessas ações - estaria muito bem se as operações da PF atingissem, indistintamente, todas as organizações criminosas, independentemente do credo ideológico ou da cor partidária dos envolvidos. Isso porque é óbvio que as recentes operações da PF parecem visar, sobretudo, a constranger e expor ao escárnio público pessoas sobre as quais existem graves suspeitas , desde que não sejam partidários , aliados, amigos e companheiros de Lula e do PT.
Não é por mera coincidência que nenhuma prefeitura do PT, nenhum político graduado do partido, nenhum esquema ilegal que envolveu o partido tenha merecido a atenção que polícia de Tarso Genro vem dando a esquemas supostamente criminosos que não envolvem o partido de Lula. Se, numa hipótese surreal, não existissem denúncias envolvendo políticos do PT e do governo Lula , seria justificável tal comportamento da PF. Mas, ao contrário, nos cinco anos e meio de governo a relação de denúncias ultrapassou a casa dos três dígitos.
Por que, então, a PF, tão destemida no combate aos esquemas criminosos dos inimigos do PT, ainda não se deu ao trabalho de investigar as denúncias que envolveram o partido e o governo Lula? E não foram poucas. Refrescando a memória, o escândalo do Mensalão, o dossiê dos "aloprados", o dossiê Dilma Roussef, o escândalo Waldomiro Diniz, o caso Celso Daniel, a administração Palocci em Ribeirão Preto, a administração Zeca do PT em Mato grosso do Sul, o caso da venda da Varig, o caso Gamencorp-Lulinha, somente paraficar nos mais conhecidos.
Por que a PF, tão corajosa, ainda não convidou José Genoino, José Dirceu, Antonio Palocci, Luis Gushiken, Ricardo Berzoini,João Paulo, Delúbio Soares, e outros menos votados, para darem uma passadinha numa delegacia policial e experimentarem um par de algemas? Por que a sede do PT nunca mereceu a honra de uma visita da brava Polícia Federal?
Por tudo, não é difícil chegar a algumas conclusões. A primeira, óbvia, é que o governo usa as ações da PF como um outdoor no sentido de mostrar ao povão que no governo Lula a corrupção está sendo combatida sem tréguas , e que os ricos não estão impunes.
A segunda, é que a sucessão de Lula desencadeou no interior do seu governo uma briga de foice no quarto escuro que envolve, pelo menos, três ministros: Dilma Roussef, Tarso Genro e Patrus Ananias. Cada qual usando as armas que têm: Dilma usa as armas da chantagem e da fabricação de dossiês; Patrus se utiliza dos "pogramas sociais" empreendidos pelo seu ministério; e Tarso coloca em ação a polícia do Estado para ganhar visibilidade.
Sabemos que a maioria dos regimes totalitários teve a sua gênese na perseguição arbitrária a inimigos, que muitas vezes eram apresentados à execração pública como se criminosos fossem. Sabemos também que um dos pressupostos do Estado de Direito é o fato de que todos são presumivelmente inocentes até que se prove o contrário. E todos têm, portanto, o direito a ampla defesa. Todos os cidadãos investigados pela PF devem ser julgados e exemplarmente punidos, se provadas as suas culpas. Até lá, portanto, não podem, como qualquer cidadão, rico ou pobre, estarem sujeitos à arbitrariedade policial.
A terceira conclusão, portanto, é que, gradativamente, o governo Lula vai colocando a serviço dos seus propósitos políticos uma instituição que deveria estar a serviço da sociedade. Agindo como vem agindo, a PF assume o caráter de polícia totalitária , a serviço de um partido e de uma causa política. E mais:de um ministro que tem pretensões eleitorais.
A Polícia Federal somente passará a ter o respeito que merece a partir do momento em que se assumir como instituição do Estado e se colocar a serviço da sociedade, completamente subordinada à Constituição do País. Da maneira como vem agindo, em que pese o aplaudo de muitos para as suas ações, podemos temer pelo pior. O Estado Policial que se pretende instalar no Brasil é meio caminho andado para o totalitarismo.

   
             
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